quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Entre a Monarquia e a República


POLÍTICA DOS GOVERNADORES 21/01/2012 - 14h00

Entre a Monarquia e a República

No período de transição entre a Monarquia e a República, o presidente Campo Sales, que governou o País de 1898 a 1902, estabeleceu a chamada política dos governadores
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FOTO: BANCO DE DADOS/REPRODUÇÃO
Revoltosos comemoram a queda de Nogueira Accioly em foto do ano de 1912


E m uma tentativa de organizar o momento politicamente conturbado que vivia o Brasil no período de transição entre a Monarquia e a República, o presidente Campo Sales, que governou o País de 1898 a 1902, estabeleceu a chamada política dos governadores, cuja estratégia central era a de dar autonomia aos estados e, em contrapartida, obter uma bancada de deputados federais “obedientes” à palavra do presidente.
Em meio a todo esse contexto, não somente pelo desejo da política local, e muito mais por um desejo nacional, nascia, em 1896, a oligarquia acciolina no Ceará, bem como outras oligarquias nos demais estados brasileiros. “A crítica que se fazia ao Império, era a crítica à centralização política no governo federal, que controlava as províncias (como eram chamados os estados). Uma das grandes bandeiras da República era, então, a descentralização, significando a autonomia para os estados”, explica a historiadora da UFC, Simone de Souza.
Ao sabor de Nogueira Accioly, portanto, ficavam a indicação de todos os cargos públicos, empréstimos que não precisavam de aval da União, dentre outras vantagens que foram agigantando o poder do governo acciolino. Paralelo a isso, no interior do Estado, entravam em ação os coronéis.
Como moeda de troca, os “mandatários do sertão” recebiam benefícios do oligarca, enquanto encabrestavam os votos dos moradores de suas fazendas para garantir a permanência da oligarquia no poder.
A artimanha política de Accioly era tamanha que logo tratou de fazer aliança com Pedro Borges - seu até então rival político -, que foi eleito presidente do Ceará , em 1900, no mesmo período em que ele foi eleito senador da República. A ideia era a de fazer apenas uma “troca de cadeiras”, quando chegassem as eleições de 1904. E assim aconteceu: Accioly voltou para a presidência do Estado e colocou Pedro Borges no lugar que ele ocupava no Senado.
Nessa política do “toma lá dá cá”, a oligarquia conseguiu se sustentar por 16 anos no Estado, realizando eleições fraudulentas, perseguindo duramente os opositores e empastelando jornais da oposição.
Mas as práticas de nepotismo, autoritarismo e outros desmandos sem fim começaram a incomodar a população de Fortaleza e a criar um cinturão de descontentamento entre as cidades vizinhas. Com vontade de mudanças, a população foi às ruas protestar. A Praça do Ferreira e o Passeio Público, na Capital, foram escolhidos como palcos para os comícios da oposição.
Depois de vários episódios de violência contra a população, Accioly não conseguiu manter-se no governo, e foi deposto no dia 24 de janeiro de 1912. Chegava ao poder Franco Rabelo. ( Ranne Almeida)
ENTENDA A NOTÍCIA
Nogueira Accioly teve sua vida política facilitada pelo sogro, Senador Pompeu, que, doente, via a necessidade de preparar o genro para ser seu sucessor político. Com a morte do senador, Accioly passou a comandar a política no Ceará.

Referência bibliográfica
Para saber mais sobre o assunto, leia: A nova História do Ceará / Família, tradição e poder: o (caso) dos coronéis / Construindo o Ceará 
Percalços
Apesar das secas, que sempre atrapalhavam o desenvolvimento econômico do Ceará, o Estado chegou a constituir quatro fortes oligarquias

República Velha
A Primeira República do Brasil, que durou desde a proclamação da República a té a Revolução de 1930, era assim: oligárquica, autoritária e clientelista

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